Cópia de órgãos vitais: entenda o processo de regeneração dos braços das estrelas-do-mar

  • 15/05/2024
(Foto: Reprodução)
Invertebrados marinhos estão entre as poucas espécies do planeta que conseguem regenerar os próprios braços. Outras curiosidades envolvem a locomoção e alimentação das espécies. As estrelas-do-mar são capazes de regenerar os prórpios braços por razões diversas alitheo/iNaturalist As estrelas-do-mar são animais invertebrados caracterizados por terem cinco braços terminados em ponta. Elas fazem parte da família dos equinodermos, uma categoria de criaturas marinhas que possui características físicas distintas. Uma das características mais curiosas desses animais é a capacidade de regenerar os próprios braços após perdê-los por predação, pela auto amputação (para escapar de predadores ou rochas que caíram sobre elas) ou mesmo durante o processo de reprodução assexuada. No entanto esse processo de regeneração dos braços faltantes pode levar meses ou anos, a depender da extensão dos danos e da disponibilidade de recursos. As estrelas-do-mar são animais marinhos que ocorrem até cerca de 6 mil metros de profundidade htoutonghi/iNaturalist Rosana Cunha, mestre em sistemática, taxonomia animal e biodiversidade pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, é especialista em estrelas-do-mar e explica como o funciona o processo de regeneração dos braços. “Cada braço de uma estrela-do-mar contém uma cópia dos órgãos vitais dela. Devido às múltiplas cópias dos órgãos dentro de seus braços, isso permite que elas sejam resilientes à perda de membros e continuem a sobreviver por tempo suficiente para criar substitutos”, elucida Rosana. Entre seus parentes mais próximos podemos citar: o ouriço-do-mar, a bolacha-do-mar e o pepino-do-mar mbp349/iNaturalist “Além do mais, as estrelas-do-mar retêm um específico grupo de células ao longo de suas vidas chamadas de células-tronco indeterminadas, que são capazes de se transformarem em qualquer tipo de célula que seu corpo necessita. Essas células permitem que as estrelas-do-mar regenerem a maior parte de seus corpos, até mesmo órgãos vitais”, completa a especialista Locomoção As estrelas-do-mar se locomovem utilizando estruturas chamadas pés ambulacrais. Podemos pensar nos pés ambulacrais como pequenos tubos flexíveis, que possuem ou não ventosas nas suas pontas. “As estrelas-do-mar possuem centenas de pés ambulacrais, localizados na região oral do organismo (que fica voltada para o substrato) e movidos a partir do sistema hidráulico da estrela, conhecido como Sistema Vascular Aquífero. Como próprio nome já diz, é um sistema de vasos que funciona a partir da entrada de água no interior da estrela-do-mar”, explica Rosana. A água percorre canais, que estão localizados na região central (chamada de disco) e ao longo dos braços das estrelas, e é bombeada para dentro dos pés ambulacrais. A maioria das estrelas-do-mar movimenta-se lentamente scubawayne/iNaturalist “Assim que os pés ambulacrais recebem essa água, eles se alongam e se movimentam de forma coordenada, fazendo a locomoção desse animal pelo mundo subaquático”, completa ela. Reprodução A maioria das estrelas-do-mar são dioicas, ou seja, existe separação entre adultos machos e fêmeas, e se reproduzem de forma sexuada, com a liberação de gametas masculino e feminino na coluna d’água. “Os gametas são liberados de forma sincrônica em determinado período do ano e a fecundação ocorre externamente. Após a fertilização, o zigoto se torna um embrião que se desenvolve em uma larva livre natante chamada bipinária”, diz a especialista A fertilização é externa na maior parte das espécies de estrelas-do-mar, com algumas exceções ken_flan/iNaturalist Após algum tempo, a larva bipinária se fixa no fundo do mar e sofre metamorfose, resultando na formação de uma nova estrela-do-mar. Algumas espécies desse animal também podem ser hermafroditas, possuindo tanto órgãos reprodutivos masculinos quanto femininos em seus corpos. “Existem ainda espécies de estrelas-do-mar que podem se reproduzir de forma assexuada, ou seja, sem a necessidade da fecundação de gametas. Elas têm a habilidade de gerar um novo individuo a partir da divisão em duas ou mais partes do seu corpo, produzindo assim vários clones do individuo original”, completa Rosana. Alimentação Muitas estrelas-do-mar são carnívoras e se alimentam principalmente de moluscos (lambretas, mexilhões e ostras), mas também consomem organismos, como corais, esponjas, bolachas-da-praia e outros pequenos invertebrados marinhos. Geralmente, sua alimentação ocorre de forma externa. “As estrelas-do-mar colocam o estômago pra fora do corpo pra se alimentarem. Ela literalmente everte o estômago pela boca e o posiciona sobre as partes digeríveis da presa” conta Rosana Durante o processo, o estômago libera enzimas digestivas que transformam a presa em uma "sopa" que a estrela-do-mar suga. Depois de comer, ela retrai o estômago de volta para dentro do corpo. Esse modo de se alimentar permite que o animal consuma presas maiores que sua boca. Algumas espécies são necrófagas, ou seja, se alimentam de alguns peixes e invertebrados mortos. clairegoiran/iNaturalist Predadores de estrelas Peixes, tartarugas marinhas, caracóis, caranguejos, camarões, lontras, pássaros e até mesmo outras estrelas-do-mar se alimentam desses invertebrados. Embora a estrela-do-mar possa endurecer seu corpo como forma de proteção, predadores com bocas grandes podem engoli-la por inteiro. Já os predadores com bocas menores podem virar a estrela-do-mar e se alimentar da parte inferior do corpo dela, onde estão localizadas estruturas de tecido mole, como os pés ambulacrais. Importância ecológica As estrelas-do-mar são consideradas espécies-chave no ecossistema marinho, ou seja, a presença ou a ausência delas pode ter um impacto desproporcionalmente grande no ambiente. Além de servirem de alimento para muitos animais, elas ajudam a controlar as populações de outras criaturas marinhas. As estrelas-do-mar fornecem recursos essenciais para outras espécies dentro do habitat eschlogl/iNaturalist Ameaças Recentemente, a estrela-do-mar Pycnopodia helianthoides, conhecida estrela girassol, entrou para lista de espécies ameaçadas de extinção. É uma espécie do Oceano Pacífico e sua população tem sido reduzida drasticamente por conta de uma doença que está afetando esses organismos. Segundo relatório divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2018, sete espécies estão listadas como ameaçadas e/ou vulneráveis no território brasileiro, são elas: Astropecten articulatus Astropecten brasiliensis Astropecten marginatus Coscinasterias tenuispina Linckia guildingi Luidia senegalensis Oreaster reticulatus Ações humanas como a poluição dos ambientes marinhos e a coleta ilegal e indiscriminada desses animais são as principais causas para a redução significativa na população dessas espécies no país. *Texto sob supervisão de Giovanna Adelle VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2024/05/15/copia-de-orgaos-vitais-entenda-o-processo-de-regeneracao-dos-bracos-das-estrelas-do-mar.ghtml


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