Corujas de espécies diferentes são flagradas juntas em MG

  • 21/02/2024
(Foto: Reprodução)
Provável casal formado por uma murucututu e uma murucututu-de-barriga-amarela foi visto no Parque Estadual Serra do Rola-Moça, em Ibirité (MG). Murucututu e murucututu de barriga-amarela são flagradas juntas em Ibirité, MG Walisson Silveira Uma cena raríssima da natureza foi flagrada nos últimos dois domingos no Parque Estadual Serra do Rola-Moça, em Ibirité (MG). Duas corujas, de diferentes espécies, foram fotografadas interagindo como um casal. A dupla chamou a atenção de observadores de aves e de biólogos. A descoberta aconteceu no Carnaval, quando o passarinheiro Walisson Silveira passeava pelo parque bem cedinho, como sempre costuma fazer, à procura de novos registros. “Quando cheguei escutei o canto de uma ave conhecida como cabeçudo e resolvi tocar o playback para atraí-la, só que percebi outra movimentação na mata. Com o zoom da câmera consegui identificar que era uma coruja, pensei no momento que fosse uma murucututu-de-barriga-amarela”, conta. Ambas foram flagradas de manhã e ficaram vocalizando durante todo tempo Walisson Silveira A coruja estava ativa e vocalizando, por isso Walisson decidiu reproduzir o som da espécie. Deu certo e a ave chegou mais perto, pousando em uma árvore há cerca de três metros da câmera. “Depois de 10 minutos, outra coruja apareceu e pousou perto, ficando as duas aves quase juntas e vocalizando. Nesse momento, mudei de ideia e achei que era um casal de murucututus ou até um jovem e um adulto e aproveitei para registrar e tirar várias fotos” relembra. Quando foi para a casa analisar as imagens e compartilhar com amigos observadores, ele teve a certeza de que a dupla era composta por duas espécies distintas: uma murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) e uma murucututu (Pulsatrix perspicillata). Apesar de serem espécies próximas, do mesmo gênero, são aves distintas. Em relação ao tamanho, a murucututu-de-barriga-amarela é menor e mais leve. A diferença maior é na área de ocorrência, na vocalização, e na parte física. À esquerda a murucututu-de-barriga amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) e na direita uma murucututu (Pulsatrix perspicillata) Walisson Silveira A murucutu possui um olho amarelo alaranjado e as penas na face são claras, quase brancas, em formato de X. Já a de barriga-amarela tem os olhos negros e essa faixa de penas em tons creme. Enquanto a murucutu pode ser vista em quase todas as regiões do Brasil, principalmente na floresta Amazônica e na Mata Atlântica do Nordeste (ela é considerada extinta no estado do Rio de Janeiro), a murucututu-de-barriga-amarela ocorre no país do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul. No último final de semana, na manhã do dia 18, Walisson voltou ao parque com a presença de dois amigos amantes das aves para tentar achar as corujas. Além de conseguirem avistar as duas próximas e vocalizando no alto das árvores, o trio entrou no mato e encontrou o poleiro em que elas ficavam juntas, lado a lado. “Ficamos quase duas horas ali, admirando. Foi o melhor momento que eu tive na vida de observação de aves. Dois bichos bonitos e imponentes, de hábitos noturnos logo ali, na nossa frente”, conta Walisson. A murucututu-de-barriga-amarela também é conhecida como corujão-mateiro e murucututu-pequeno Walisson Silveira De acordo com o ornitólogo Willian Menq, especialista em aves de rapina, a cena flagrada pelos mineiros é raríssima. “Confesso que é a primeira vez que vejo as duas espécies juntas, lado a lado, em ambiente selvagem. Na natureza, a tendência é de uma espécie acuar a outra do território, ainda mais com essas aves, que são predadoras e ocupam basicamente o mesmo nicho ecológico, o mesmo tipo de habitat e presas, ou seja, são competidoras”. Ele explica ainda que não é possível afirmar com certeza que se trata de um casal, mas que pelas circunstâncias e pelos relatos em dias diferentes, é muito provável que sim. “Sendo um casal formado, o pareamento pode resultar em um filhote híbrido, mas não sei dizer se será um híbrido saudável ou mesmo fértil”, esclarece Menq que acredita na possibilidade do sucesso reprodutivo por serem espécies do mesmo gênero, já que quanto maior a proximidade genética, mais alta são as chances de sair um híbrido viável. As corujas, apesar de serem de espécies distintas, são do mesmo gênero João Pedro Ribeiro (5) Mas por que essas espécies escolheriam ser um casal? Geralmente, segundo o pesquisador, esses "casais diferentes" podem se formar em zonas de contato da distribuição entre as espécies quando uma das aves está com dificuldades de encontrar um parceiro, e na falta de um da mesma espécie, acaba copulando com uma ave semelhante. Mas vale dizer que não é algo comum e nem simples. No caso das corujas encontradas no parque mineiro, o biólogo torce por filhotes saudáveis. De toda forma, para João Pedro Ribeiro, que viu as espécies no último domingo pela primeira vez em vida livre, o avistamento dos adultos já valeu a pena. “Foi algo completamente inesperado e motivo de muita alegria, afinal além de ser um registro raro, é a comprovação da riqueza das matas de Ibirité, Brumadinho, Nova Lima e região. Locais que tanto precisam de foco em sua conservação”, finaliza. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2024/02/21/corujas-de-especies-diferentes-sao-flagradas-juntas-em-mg.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

estamos ao vivo mande a sua mensagem para nos a traves do watsapp 19/983176001

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes