Peixe-remo no México: a ciência por trás da lenda do animal que 'prevê' tragédias

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
O mistério do peixe-remo: o que traz o gigante do mar à superfície? Dois exemplares do raro peixe-remo (Regalecus russellii), conhecido em diferentes culturas como o “peixe do fim do mundo”, foram encontrados recentemente nas areias de Cabo San Lucas, no México. Mas o que está por trás do mistério? A ciência explica os casos. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp O registro, feito por turistas e divulgado pela influenciadora Monica Pittenger, rapidamente chamou a atenção pela aparência incomum do animal e pela antiga crença de que sua aparição poderia anunciar terremotos ou tsunamis. Apesar do imaginário popular, pesquisadores afirmam coementam sobre as evidências científicas que dizem respeito ao surgimento desse peixe e sua suposta ligação com a catástrofes naturais (entenda abaixo). Peixe-remo aparece no México Reprodução/Instagram/@monicaandco Veja mais notícias do Terra da Gente: ALERTA: Mais de 1,2 mil espécies da fauna brasileira estão ameaçadas de extinção, aponta ICMBio FLAGRANTE: Beija-flor 'diferente' é encontrado em MG e intriga observador: 'quase não acreditei' VÍDEO: Biólogo flagra 'exército' de formigas protegendo insetos em troca de comida Criatura misteriosa: conheça o peixe-remo Entenda mais sobre as características do misterioso peixe-remo marcm13 / iNaturalist Para especialistas, o episódio é um raro encontro com uma das criaturas mais misteriosas das profundezas e uma oportunidade de compreender melhor o funcionamento do oceano. “Essa relação com terremotos e sismos é simplesmente uma falácia”, afirma o ictiólogo e pesquisador Oscar Miguel Lasso-Alcalá, especialista em ecossistemas aquáticos. Segundo ele, análises científicas já compararam registros de aparições do animal com dados sísmicos e não encontraram qualquer correlação estatisticamente relevante. O gigante das profundezas Conheça mais sobre o "peixe do fim do mundo" nature_fam / iNaturalist O peixe-remo é considerado o peixe ósseo mais longo do planeta. Seu corpo prateado e alongado lembra uma fita metálica e a espécie vive na chamada zona mesopelágica — geralmente entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Segundo Lasso-Alcalá, os peixes desse ambiente apresentam adaptações específicas para suportar a pressão do abismo. “Todos os peixes dessas águas têm uma musculatura muito branda, quase como algodão. É uma adaptação para suportar a pressão, mas que não permite um nado rápido ou forte”, explica. Essa característica ajuda a explicar por que ele não resiste quando correntes o empurram para águas rasas. “Essas espécies não são boas nadadoras. Muitas vezes se deslocam ajudadas pelas correntes. Quando essas correntes chegam ao litoral e sobem rapidamente, o peixe não consegue lutar contra elas e termina na superfície, desorientado ou moribundo”, diz o especialista. O mito do “mensageiro do desastre” O mito sobre o peixe-remo rebeca67582 / Inaturalist A fama de sinal de tragédias vem do folclore japonês, onde é chamado de Ryugu no Tsukai (“mensageiro do palácio do deus do mar”). A crença diz que o animal emergiria para avisar sobre terremotos iminentes. No entanto, um estudo publicado no Bulletin of the Seismological Society of America analisou 336 registros de aparições no Japão entre 1928 e 2011 e comparou-os com 221 terremotos de grande magnitude. O resultado foi claro: a relação praticamente não existe. Os pesquisadores concluíram que a associação é uma “correlação ilusória”. Correntes oceânicas explicam o fenômeno Organização BLOOM divulga imagem das profundezas do oceano, onde o mítico peixe-remo foi flagrado em seu habitat natural. Reprodução/Facebook/BLOOM O que traz esses animais à costa são fenômenos conhecidos como ressurgência costeira (upwelling) — quando ventos empurram águas superficiais e permitem que águas profundas subam rapidamente. “Essas correntes profundas sobem com grande velocidade e trazem nutrientes que alimentam o fitoplâncton e o zooplâncton. São áreas de grande produtividade biológica”, explica Lasso-Alcalá. Esse movimento pode arrastar espécies que vivem no meio da coluna d’água. “Há uma relação muito forte entre os registros de peixe-remo e locais onde essas correntes atingem o litoral”, afirma o pesquisador. Estratégia extrema de sobrevivência Peixe-remo e seus mistérios; entenda shrike2 / iNaturalist Uma das características mais intrigantes é a autotomia — a habilidade de perder partes do corpo para sobreviver, como fazem as lagartixas. “É uma capacidade que não havia sido registrada em peixes. Eles podem desprender partes do corpo para sobreviver”, afirma Lasso-Alcalá. Diferente das lagartixas, porém, o peixe-remo não regenera a parte perdida. Dessa forma, o chamado “peixe do fim do mundo” não é um mensageiro de desastres, mas um visitante inesperado que revela, por instantes, o lado mais desconhecido do oceano. Detalhes do peixe-remo Peixe-remo em registro no Chile diegoalmendras / iNaturalist Peixe-remo (Oarfish) Nome Científico: Regalecus glesne (principal espécie no Atlântico) e Regalecus russellii (comum no Pacífico e recentemente registrada no Caribe por Lasso-Alcalá). Família: Regalecidae. Nomes Populares: Peixe-remo, Rei-dos-Arenques (King of Herrings) e Ryugu no Tsukai (Mensageiro do Palácio do Deus do Mar, no Japão). Estado de Conservação: Espécie rara, não considerada comum ou abundante. Comprimento: É considerado o peixe ósseo mais longo do mundo, podendo atingir vários metros de comprimento, normalmente com 3 metros de comprimento, mas com a estimatica de até 11 metros em casos raros Musculatura: Possui tecido com textura "branda" semelhante ao algodão, composta por grande quantidade de água para suportar altas pressões. Sensores: Apresenta raios das nadadeiras (aletas) muito prolongados que funcionam como sensores para detectar organismos próximos. Visão: Possui olhos muito grandes, adaptados para captar a baixíssima luminosidade das profundezas. Coloração: Prateada e disruptiva, funcionando como camuflagem no ambiente oceânico. Localização: Espécie pelágica (de mar aberto), que habita a coluna d'água e não o fundo do mar. Profundidade: Vive na zona mesopelágica, normalmente entre 200 e 1 mil metros de profundidade. Natação: Nadador pouco eficiente; desloca-se na vertical ou horizontal, ficando muitas vezes à mercê das correntes oceânicas. Alimentação: Animal filtrador; utiliza espinhos nas brânquias para se alimentar de zooplâncton, pequenos crustáceos e krill (eufausiáceos). Estratégia de Sobrevivência: Possui a capacidade de autotomia, podendo desprender partes do próprio corpo para sobreviver a ameaças, embora não as regenere posteriormente. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/03/13/peixe-remo-no-mexico-a-ciencia-por-tras-do-mito-animal-que-preve-tragedias.ghtml


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